Natividade da Santa Mãe de Deus. Foto: www.ecclesia.com.br
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A Virgem Maria e o dom do serviço

Jesus e o serviço ao próximo

Nosso Senhor Jesus Cristo, quando se fez carne, “não considerou um privilégio ser igual a Deus, mas esvaziou-se assumindo a forma de servo” (Fl 2, 6-7). Ele, ao se encarnar, humilhou-se para ser igual ao homem, exceto no pecado. Conservando sua natureza divina, assumiu a natureza humana. Foi para a salvação do homem que Cristo Jesus veio ao mundo (cf. Tm 1, 15). Essa salvação foi realizada através da sua Paixão, Morte e Ressureição. Foi em nosso favor que Ele se ofereceu ao Pai na Cruz em sacrifício.

Ele, que é o “Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), mostrou-nos que o maior mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo (cf. Mc 12, 29-31). Nosso Senhor nos mostrou que um dos caminhos para amar é por meio do serviço, já que Ele viveu para servir a Deus Pai e aos seus irmãos. Ele mesmo nos disse que não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida por muitos (cf. Mt 20, 28). Jesus fez a sua autobiografia com o verbo servir. [Salmos: Servir com Alegria]

O cristão deve estar a serviço

Diz-nos São Paulo, na sua carta aos Filipenses, que devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. Portanto, fica claro para nós que, se Nosso Senhor se fez servo de Deus e dos outros por amor, nós também devemos transformar nossa existência em um contínuo serviço. Além disso, na epístola aos Gálatas, o Apóstolo dos gentios diz que devemos ser servos uns dos outros por amor (cf. Gl 5, 13), assim como Jesus fez.

Quando fomos batizados, tornamo-nos reis, sacerdotes e profetas. O aspecto real que nos é dado nesse sacramento nos lembra de que, assim como Cristo, que era Rei e se fez servo, nós também devemos viver como servos. Se eu não vivo para servir, não sirvo para viver, nos ensina o Papa Francisco. [Papa Francisco: Audiência Jubilar] É evidente que a essência do cristão é permeada pelo espírito de serviço.

O serviço de Maria

Assim como Nosso Senhor, a Virgem Maria fez da sua vida um serviço. Ela, nossa maior intercessora junto de seu Filho, é o maior exemplo de serviço que a humanidade já presenciou depois de Jesus. Na anunciação do Arcanjo Gabriel à Santíssima Virgem, ela, pela “obediência da fé” (cf. Rm 1, 5), se declara como a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38) e, sem pestanejar, se submete à Vontade Divina, por meio do seu Fiat. Mediante sua obediência e seu serviço, ela nos trouxe a Vida. Deus quis a livre cooperação de uma criatura para ocorrer a salvação do gênero humano. [Catecismo da Igreja Católica, n.488] Com isso, Santa Maria nos ensina a nos submetermos prontamente à vontade divina.

Há outro relato que nos mostra claramente como Nossa Senhora tinha sua existência envolvida pelo servir. Após descobrir que sua prima Isabel estava grávida, levantou-se e foi apressadamente em busca dela, em uma cidade de Judá, que ficava em uma região montanhosa (cf. Lc 1, 39). O papa São Pio X, ao comentar esse relato, diz que “com santa solicitude, Maria foi visitar a prima (…) para servi-la como humilde criada, como o fez por três meses”. [Catecismo Maior de São Pio X, em Breve História da Religião, n. 88] Ela não espera: quando vê a necessidade de sua prima, vai rapidamente ao encontro dela.

Para se conhecer Maria, diz São Luís de Montfort, deve-se conhecer o Filho. Isso porque, seguindo o exemplo do seu Filho, Maria não considerou privilégio ser a mãe do Salvador, mas se fez serva dos outros por amor. Na sua simplicidade e no seu silêncio, serviu com discrição, humildade, amor e piedade.

A partir desses dois relatos do primeiro capítulo do Evangelho de São Lucas, podemos tirar uma conclusão: precisamos buscar a virtude da humildade e da diligência. Crescer na humildade, primeiramente, para que possamos, assim como o Senhor no lava-pés (cf. Jo 13, 1-15), nos rebaixar para servir e para amar. Além disso, para proclamarmos as maravilhas de Deus, como foi cantado no Magnificat (cf. Lc 1, 46-55).

A diligência é realizar o que é preciso ser feito, com zelo, atenção e da melhor forma possível. Nossa Senhora, no relato da Visitação à Santa Isabel, nos mostra que esse é o caminho para o serviço. Precisamos, como diria o Papa Francisco, “primeirar”, [Papa Francisco: Exortação Apostólica Evangelii Gaudium] tomar a iniciativa, mesmo sem sermos requisitados. Foi isso que Maria fez: ao ver que sua prima precisaria de ajuda nos últimos meses da gravidez, não pensou duas vezes e foi apressadamente a uma cidade de Judá, aproximadamente a 150 km de Nazaré. Mesmo estando grávida do Redentor, não se preocupou consigo mesma e foi ao encontro de Isabel, para amá-la e servi-la.

Peçamos a Nossa Mãe, Nossa Senhora da Esperança, um coração semelhante ao dela e ao de seu Filho Jesus, para que, cada vez mais, possamos nos configurar a Ele. Precisamos desse coração humilde e servidor para chegarmos ao céu e para levarmos os outros para Deus.


Seminarista Gabriel Dias Ferrazemail
Graduando em Filosofia no Seminário Nossa Senhora de Fátima – DF

One Comment

  1. Excelente artigo! Vale a pena lê-lo, para se entender o sentido do serviço, que não é para o engrandecimento próprio, mas uma pequena forma de gratidão a Deus!

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